Para guerreiros e guerreiras!

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Por Mauricio Vlamir Ferreira.

Quando pensei nesta resenha, várias ideias vieram a minha mente.

São tantas coisas que vão acontecendo em um momento tão conturbado em nosso país.

Um momento em que todos estamos sofrendo com a retirada de direitos, com o estrangulamento de nossa dignidade.

Um momento em que está tudo tão difícil para todos nós.

Num momento em que até a comunidade negra não pode ter seu momento de reflexão sobre os tantos outros momentos que sofreu e ainda sofre com a desigualdade e a violência numa sociedade ainda de elite branca e burguesa, que oprime todos àqueles que não conseguem ter dias melhores.

Aí me veio a ideia de condensar todo esse momento em uma pessoa que já não vive entre nós.

Um guerreiro menino que representou o negro, o nordestino sofrido, o morador dos núcleos de comunidade, o branco também excluído e, que em seus cantares soltava a voz e parecia dizer tudo o que queríamos dizer em suas músicas em plena ditadura militar.

Para o despertar de todas as consciências, hoje deixo minha saudade e reverência para o mestre Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha.

Gonzaguinha que ainda representa os guerreiros e as guerreiras do nosso país doente e dolorido, que mesmo sangrando um dia há de ser melhor e menos injusto!

Obrigado Gonzaguinha!

Obrigado guerreiros e guerreiras!

Abaixo, especial Gonzaguinha Partes 1 e 2

*Mauricio Vlamir Ferreira é Assistente Social, Especialista em Serviço Social e Educador.

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A intolerância nossa de cada dia!

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Por Mauricio Vlamir  Ferreira.

Uma sociedade doente expressa seus sintomas das mais diversas formas.

Discurso de ódio, preconceito velado e escancarado, discurso de exclusão, comparações absurdas entre quem sempre teve condições de progredir socialmente e quem nunca teve as mesmas condições, julgamentos morais, entre outros pensamentos que beiram ao milenar e mesopotâmico Código de Hamurabi, ou seja, o famoso dente por dente, olho por olho.

Nesta semana presenciei nas redes sociais incentivos ao extermínio, linchamento, e outros procedimentos contra ladrões na ausência de uma  força policial mais ostensiva em uma região da grande São Paulo, e ai de quem questionasse tais recomendações.

Mas e aí?

O grande problema é que a liberdade de expressão acaba se tornando ameaçada para quem contesta o sistema, e acaba se tornando uma ameaça quando um determinado grupo de pessoas acaba acusando algo ou alguém genericamente, julga e condena.

O problema se agrava mais ainda quando o Estado se cala e ainda se diz impotente em entrar em uma comunidade com a mais forte das forças policiais.

É sinal que o Estado não existe mais.

É sinal que forças ilegais assumem seu papel.

A sensação de insegurança é substituída pela vingança popular.

A força de segurança toma papel de milícia armada, controlando o preço do gás, a segurança privada e até o tráfico de drogas local.

A insegurança do Estado aumenta, e o problema acaba se resolvendo apenas para quem tem mais condições financeiras.

Mas a intolerância vista nesta semana tem outras vertentes.

A vertente do jornalista que se considerava Deus e paladino do descontrole da ofensa verbal.

Após um caso antigo de trocadilho verbal contra uma colega jornalista, casos de misoginia com outras colegas, desta vez praguejou covardemente contra uma etnia inteira.

Para a empresa em que trabalha, algo passível apenas de uma suspensão.

Empresa que vai se aproveitar, como todas as outras, do fim da CLT.

Preparem-se para novas cenas de intolerância nas relações do trabalho.

Mas a última cena intolerante e, tão covarde como as que já descrevi, foi a agressão verbal e física de militantes reacionários de direita contra a filósofa Judith Butler, .

Uma agressão da surdez ideológica.

Da estupidez fascista.

Da ilógica incompreensão.

Confira abaixo as cenas patéticas, tristes e deploráveis:

As feridas de nossa época vivida não vão acabar com a provável retomada da democracia a ser vivida nas eleições presidenciais de  2018.

Será um processo longo e doloroso de aprendizado e retomada do respeito ao livre pensar e à tolerância social.

*Mauricio Vlamir Ferreira é Assistente Social, Especialista em Serviço Social e Educador.

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Bem-vind@s a Ditadura!

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Por Mauricio Vlamir Ferreira.

Inacreditável!

Seria esta a palavra se estivessemos vivendo em dias de democracia plena.

Mas não vivemos.

A maior prova disso se deu no dia de hoje.

Dia de véspera de prova aliás.

Prova do ENEM.

Prova em que o futuro de profissionais de diversas áreas, incluindo a área do Direito, serão avaliados.

E serão avaliados sem a perspectiva de zerar por escreverem apologias a favor do holocausto, do preconceito, da homofobia, da misoginia, da tortura e de tantas outras aberrações simpatizantes do nazifascismo, onde agora segundo a decisão do STF tudo é permitido.

Chora a nossa pátria mãe gentil.

Bem vindos aos anos da ditadura!

Uma  ditadura escancarada,marcada  pelo ódio e pelo preconceito.

Até quando?

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Meus caros amigos!

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Por Mauricio Vlamir Ferreira.

 

Não tenho amigos no estrangeiro, mas se tivesse, e como este blog é lido mundo afora, faço aqui um grito de socorro, como o fez um dia Chico Buarque para Augusto Boal, que resumiu um pouco a situação do país nos tempos nefastos da ditadura militar.

 

 

 

 

Seria mais ou menos assim:

Meus caros amigos, me desculpem parafrasear o poeta.

Mas aqui a situação está mesmo feia.

O Estado laico que existia se quebrou.

Um presidente de mentira que governa.

Uma justiça tão injusta que impera.

Aqui na terra estão acabando com o povão.

É só desemprego, desemprego e inflação.

E o governo diz que tá tudo bem na televisão.

É o gás que aumenta, o limão e o feijão.

Aqui o estado não é mais laico não.

Na escola tem que rezar antes do tiro do ladrão.

É senador que apronta, fica livre e dá risada de montão.

É comida estragada pro pobre comer feito ração.

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá feia.

Muito inocente que protesta e vai pra prisão.

E muito alienado dando pitaco em arte sem ao museu nunca ter ido.

E patrão contente explorando o trabalhador sofrido.

É professor cada vez mais oprimido.

Aqui nem o Trump quer segurar esse rojão.

Meu caro amigo aqui vou me despedir.

Não sem antes lhe contar.

Tem almofadinha querendo presidente se eleger.

E tem povo querendo nesse tipo de gente votar.

Tem outro louco querendo na força fascista chegar ao poder.

E tem mais gente cega querendo apoiar.

Aqui na terra estão roubando pra valer.

Roubam atleta e guardam ouro pra ostentar.

Mas a cadeia sempre sobra um lugar.

Menos pro amigo do juiz é que não tem cadeia.

Tudo confuso sem emprego podes crer.

E a gente sobrevive espremido no trem de cada dia.

É conta de luz e água que sobe todo dia a dia.

Ninguém segura esse rojão.

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Aplicativos para celular: transformação social online também é possível!

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Por Mauricio Vlamir Ferreira.

Existem programas e projetos que fazem a diferença e tentam minimizar as diferenças em nossa injusta sociedade.

Em um mundo onde o uso dos smartphones conecta cada dia mais as pessoas, saber que existem aplicativos que auxiliam os usuários na acessibilidade e principalmente promovem cidadania é fundamental para agilizar as formas de participação social e inclusão.

E o melhor, tudo grátis e disponível para aparelhos Android e IOS.

Confira os Apps abaixo:

Livox
Desenvolvido por um analista de sistemas brasileiro para se comunicar melhor com a filha, que tem paralisia cerebral, o aplicativo facilita a vida da pessoa com deficiência que usa celular. O sistema corrige imperfeições no toque de teclado, “narra” o que está sendo digitado e ainda oferece imagens para simplificar a conversa.
Os usuários podem, então, relatar emoções, indicar o que querem comer, selecionar desenhos, filmes, jogos e músicas de que desejam desfrutar. O app também ajuda a aprender a ler e a estudar conceitos complexos, entre outras possibilidades. As atividades são realizadas pela seleção de figuras, textos e vídeos. As respostas são geradas por comandos no teclado e por voz.
Livox é uma sigla para “Liberdade em Voz Alta” e foi eleito oum dos melhores aplicativos da área social pelas Nações Unidas em 2014. Profissionais das áreas médicas e de educação, interessados em melhorar a comunicação com pacientes e alunos, já o usam em seu dia a dia.

Hand Talk
Ser um intérprete de Libras, a língua brasileira de sinais, é o objetivo deste aplicativo. “Somos uma espécie de Google Tradutor, mas para surdos, mudos, familiares e amigos”, explica Carlos Wanderlan, um dos desenvolvedores do app. Nascido como projeto de faculdade, o programa já conta com mais de 300 mil downloads e também foi eleito um dos melhores aplicativos sociais do mundo pela ONU, em 2012.
A utilização do Hand Talk é simples: o usuário digita um texto ou o fotografa (o sistema reconhece as letras), e o aplicativo o converte para língua de sinais, na figura do assistente virtual Hugo (imagem ao lado). O boneco também reconhece imagens, que são vertidas para a língua de sinais. Segundo Wanderlan, familiares e amigos de surdos e mudos são os principais usuários do aplicativo. “Infelizmente, muitos que têm pessoas com deficiência em sua vida não conseguem se comunicar bem com elas. O Hand Talk ajuda a resolver isso”, diz.

Colab.Re
Outro vencedor de prêmios internacionais, o Colab.re é uma ferramenta que ajuda as cidades a se tornarem cada vez melhores por intermédio da interação de cidadãos com governo. Com o aplicativo instalado em seu telefone, a pessoa que ver um problema na cidade -uma lixeira quebrada, por exemplo – o fotografa, o localiza no mapa e posta uma mensagem pedindo solução. A prefeitura, também conectada, recebe a informação e providencia reparo. Só no Brasil já são mais de 40 órgãos públicos ligados nos posts dos usuários. “Buscamos ajudar a vida das pessoas ao melhorar o seu relacionamento com sua cidade, com governos, concessionárias, ou qualquer entidade relacionada a questões urbanas”, resume Gustavo Maia, um dos desenvolvedores do aplicativo.

My Fun City
Ainda na vertente de melhoria da cidade, há o My Fun City. Ele estimula as pessoas a marcarem eventos de discussão e a reivindicar melhorias nos locais onde vivem. A ideia é que as pessoas sugiram ações, envolvam quem concorda com elas e repercutam a proposta na mídia e junto aos órgãos públicos para obter resultado.

Fonte: www.espro.org.br

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Escola sem direitos?

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Por Mauricio Vlamir Ferreira.

Na semana que passou, uma série de arbitrariedades aconteceu na cidade de Santo André no ABC paulista, chegando-se inclusive à prisão injusta de professores contrários ao projeto retrógrado e reacionário do chamado projeto “Escola sem partido”.

Este blog considera que antes que se discuta tal assunto, a classe política deva discutir e esclarecer urgentemente questões tais como:

  • Escola sem merenda;
  • Escola sem segurança;
  • Escola sem verba para melhorias em sua infraestrutura;
  • Escola sem professores ganhando dignamente um salário compatível com sua profissão;

Dito isso, deixamos para você leitor(a), alguns argumentos que fazem cair por terra qualquer proposta que considere que a escola deva ser uma instituição hermética e fechada a realidade vivida em nossa sociedade.

Confira abaixo a matéria publicada no portal Escola Integral:

O movimento Escola sem Partido nasceu em 2003, a partir de uma inciativa do procurador do estado de São Paulo, Miguel Nagib.

Durante anos, suas propostas não encontraram eco até que, em 2014, um encontro com a família Bolsonaro mudou essa realidade.

Nesse ano, o deputado estadual do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PSC), pediu para que Miguel escrevesse um anteprojeto de lei. O texto foi, então, apresentado pelo filho do deputado federal Jair Bolsonaro na Assembleia Estadual do Rio de Janeiro. O líder do movimento fez uma versão municipal que foi apresentada pelo outro irmão da família, Carlos Bolsonaro, na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

Nagib disponibilizou em seu site os dois anteprojetos e desde então deputados e vereadores, em sua grande maioria ligados a bancadas religiosas, começaram a propor leis em suas respectivas casas legislativas.

O projeto já foi aprovado em ao menos três cidades, no estado de Alagoas, na cidade de Campinas no estado de São Paulo e tramita em ao menos outros quatro estados e oito capitais.

Diante desse histórico, o debate sobre o Escola sem Partido tem ganhado cada vez mais repercussão. Especialistas em educação consideram as propostas do movimento como absurdas do ponto de vista educativo, inconstitucional do ponto de vista jurídico, e uma forma de censurar professores que seriam proibidos de expressarem seus pontos de vista ou interpretações em sala de aula.

O Centro de Referências em Educação Integral perguntou a especialistas em educação quais as razões pelas quais são contrários ao projeto.

Daniel Cara acredita que é impossível existir uma educação neutra. Crédito: Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Daniel Cara acredita que é impossível existir uma educação neutra. Crédito: Campanha Nacional pelo Direito à Educação

1. Educação neutra

O artigo segundo do projeto de lei disponível no site do Escola sem Partido define que a “Educação atenderá aos seguintes princípios: neutralidade política, ideológica e religiosa do estado”.

Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito a Educação, Daniel Cara, a neutralidade absoluta é impossível de ser atingida. “Não é possível (ser neutro) porque qualquer tema que se aborde leva um juízo de valor do professor, o que é importante. O que ele não pode fazer é limitar a aula a seu juízo de valor. Determinar a neutralidade política numa lei é um equivoco absoluto”, afirmou.

Ele cita como exemplo a forma de abordar nas aulas de História a redução da jornada de trabalho e a proibição do trabalho infantil. “Em uma aula de História, quando o professor aborda esses temas, mostrando-se favorável, já considero a existência de um juízo de valor”, afirmou.

Daniel defende que o professor não pode ser impedido de apresentar sua visão de mundo, mas mostrar aos estudantes outras referências para que ele entenda os debates e posições existentes em relação a determinado assunto. “O Paulo Freire dizia que os professores precisam apresentar suas leituras de mundo, mas não podem se limitar a elas”, conclui Cara.

2. Estudantes são folhas em branco

O movimento liderado por Nagib parte do pressuposto de que os estudantes são “folhas em branco” e que professores se aproveitam da audiência cativa dos alunos para incentivar que eles sigam por um determinado caminho ideológico.

“O professor não se aproveitará da audiência cativa dos alunos, para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, politicas e partidárias”, define o artigo 5º do projeto de lei.

Para especialistas, o primeiro erro é acreditar que o estudante é uma folha em branco incapaz de formar seu juízo sobre o mundo a partir de experiências, referências e saberes que traz consigo.

“Cada estudante chega à escola com sua história, aprendizados, religião, cultura familiar. O que a escola faz é ensinar a refletir, a duvidar, a perguntar, a querer saber mais. Não existe isso do professor fazer ‘cabeça do estudante’. À medida que o estudante lê, pesquisa, escreve e se aprofunda, ele vai dando sentido pra história dele. Escola é o lugar de muitas opiniões. De ouvir a do outro e formar a própria”, afirmou Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM.

Na visão dela, o que não pode acontecer dentro da sala de aula é o professor tentar impor somente sua visão. “É por meio da escuta de todas as opiniões, leituras, excursões, filmes e exposições, que o estudante começa a ter seu próprio repertório, fruto de uma ‘mistura’ entre a escola, a família, a comunidade, a igreja e os amigos. Claro que o professor deve ter sua opinião. Mas o papel dele é mostrar todos os lados e incentivar que todos os pensamentos, todas as cores, estejam ali, dentro da sala de aula. Errado é sair ‘catequizando’ o outro, seja na escola, na igreja ou em uma aldeia”, concluiu Pilar.

Natacha Costa, diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz acredita que existe uma assimetria entre estudante e professor, mas que isso não significa que os estudantes são vazios e absorvam tudo o que o docente diz.

“O aluno não é uma folha em branco, pois é um sujeito social, traz uma história, concepções e ideias e isso precisa ser reconhecido. A escola precisa trabalhar para que esse jovem ou essa criança formule hipóteses, interprete o mundo de diferentes maneiras e desenvolva autonomia sobre seu próprio processo educativo. O papel da educação é garantir as experiências para que ele desenvolva uma visão própria sobre o mundo”, afirmou Natacha.

Renato Janine fez duras críticas ao projeto Escola sem Partido em redes sociais
Renato Janine fez duras críticas ao projeto Escola sem Partido em redes sociais

3. “Meus filhos, minhas regras”

Os defensores do Escola sem Partido defendem que o estudante tem que receber uma educação que esteja de acordo com os princípios da família do aluno. “[A escola] respeitará os direitos dos pais dos alunos a que seus filhos recebam educação religiosa e moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções”, estipula o inciso 5º do artigo 5º do projeto de lei.

O professor de Filosofia da Universidade de São Paulo e ex-ministro da educação, Renato Janine Ribeiro, escreveu um texto nas redes sociais manifestando-se contrariamente a essa ideia.

“Um princípio do Escola sem Partido é que não se poderá ensinar nada que enfrente os valores da família do aluno. Quer dizer, se o pai ou mãe for machista, racista – de forma indireta que seja – a escola não poderá ensinar a Declaração dos Direitos do Homem? A extrema direita o que quer? “, afirmou o ex-ministro da Educação.

Ainda de acordo com Janine, é lamentável que, atualmente, o debate público sobre educação esteja sendo dominado pelo assunto, em um contexto no qual há inúmeras prioridades que não estão sendo visibilizadas.

“O pior da “escola sem partido” é que desvia a atenção das questões realmente educacionais – e educativas! Desvia a atenção de nossas falhas na alfabetização, só para começar. Em 2015 divulguei nossos dados: 22% das crianças não sabem ler direito ao fim do 3º ano (na rede pública), 35% não sabem escrever, 57% fazer as operações matemáticas. Em vez de valorizar a alfabetização e tanta coisa mais, querem criminalizar o ensino”, afirmou Janine.

4. “Ideologia de gênero”

Nos últimos anos, o Brasil vem fazendo um intenso debate sobre o papel da escola e da educação na problematização das desigualdades entre homens e mulheres, e também no combate à homofobia, à transfobia e à violência contra mulheres, gays, lésbicas, transgêneros e transexuais.

Os defensores do Escola sem Partido também propõem que todos esses debates sejam excluídos do ambiente escolar. Assim como integrantes de bancadas religiosas, tais como Marco Feliciano (PSC-SP), esses debates se inserem dentro do que chamam de “ideologia de gênero” que teria, como objetivo, entre outras coisas, influenciar a orientação sexual e identidade de gênero dos estudantes.

“O poder público não se imiscuirá na opção sexual dos alunos nem permitirá qualquer prática capaz de comprometer, precipitar ou direcionar o natural amadurecimento e desenvolvimento da sua personalidade em harmonia com a respectiva identidade biológica de sexo, sendo vedada, especialmente, a aplicação de postulados da teoria ou ‘ideologia de gênero’”, prevê o Projeto de Lei 193/2016 do senador Magno Malta.

“A escola é um ambiente privilegiado para que crianças e jovens aprendam conceitos que irão lhes auxiliar a entender o mundo. Uma proposta de discussão de gênero na escola ambiciona incluir gênero como ferramenta que nos ajuda a entender o mundo e tomar uma posição a respeito das diversas violências que produzimos, reproduzimos e sofremos”, afirmou o doutorando em antropologia social da USP, Bernado Fonseca, no artigo Por que ideologia de gênero? Precisamos falar sobre isso.

5. Censura

Outra proposta do Escola sem Partido é afixar nas escolas do país cartazes com os deveres do professor com, no mínimo, 70 centímetros de altura por 50 centímetros de largura, e fonte com tamanho compatível com as dimensões adotadas.

Deveres do professor

I – O Professor não se aproveitará da audiência cativa dos alunos, para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias.

II – O Professor não favorecerá, não prejudicará e não constrangerá os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas.

III – O Professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas.

IV – Ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade –, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.

V – O Professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.

VI – O Professor não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de estudantes ou terceiros, dentro da sala de aula.

Para Daniel Cara, essa proposta criará uma espécie de tribunal pedagógico e é uma forma de censura. “Fixar cartazes cria uma espécie de tribunal pedagógico. Se eu não tiver liberdade para expor honestamente, não serei um bom professor. A educação precisa ser honesta e a honestidade não pode ser encurralada por um tribunal pedagógico dos pais”, afirmou.

O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro da rede Professores Contra o Escola Sem Partido, Fernando Penna, acredita que a própria concepção prevista no PL cria um ambiente propício para a perseguição política. Ele questiona, por exemplo, como um professor faria para respeitar absolutamente todas as convicções de todas as famílias.

“Qualquer um que tenha um mínimo de experiência em sala de aula nas escolas brasileiras de hoje sabe que é impossível respeitar essa proibição sem comprometer completamente o processo de ensino-aprendizagem. Como evitar a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais de pais e responsáveis de todos os alunos? As salas de aula recebem grupos completamente heterogêneos de alunos advindas das famílias mais diversas. Evitar contradizer qualquer convicção religiosa e moral iria efetivamente impedir que o professor realizasse discussões importantíssimas e, até mais do que isso, destruiria o caráter educativo de escola”, afirmou Penna que, recentemente, participou de um debate com Miguel Nagib no canal Futura.

“Essa proibição é inconstitucional, basta ler o artigo 205 da nossa Constituição Federal: ‘A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho’”, completou o docente.

Pelo que você pode conferir, existem questões que extrapolam o bom senso e a ética. Condenar e demonizar quem ensina a realidade para os alunos é o mesmo que não preparar o ser humano para a dura realidade do mundo.

As perguntas que ficam sobre o Escola Sem Partido são:

Será que realmente queremos isso para as próximas gerações futuras?

Será que queremos pessoas  funcionais e sem massa crítica para a conquista de sua cidadania plena?

Será que queremos uma sociedade que não lute pelos seus direitos?

Este é o real debate que precisa ser posto.

Quem se habilita a realmente lutar por uma educação plena, laica e democrática?

Fonte: http://educacaointegral.org.br

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A exploração nossa de cada dia!

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Por Mauricio Vlamir Ferreira.

A notícia é velha, porém eternamente alarmante.

Dados do Ministério do Trabalho de 2010 apontavam para uma estatística preocupante: aproximadamente 55% dos jovens com menos de 14 anos que trabalham não recebem qualquer tipo de remuneração.

Isso caracteriza exploração do trabalho infantil.

Na agricultura, esse cenário é bem comum: as crianças trabalham para ajudar os pais a complementar o orçamento familiar.

Mas o problema não se dá apenas no campo do trabalho infantil.

Muitos foram os casos descobertos no Brasil de exploração de adultos, com pessoas enganadas e que tiveram que trabalhar recebendo muito pouco e às vezes nada, absolutamente nada!

Sem qualquer direito trabalhista, muito menos carteira assinada, essas pessoas acabam nas mãos de exploradores que as iludem e as fazem pensar que o que estão fazendo é justo.

Pensar que muitos precisam se submeter a trabalhar de forma desumana, nos faz pensar que alguma coisa esta errada – em pleno século XXI.

Apesar de algumas melhoras, as expressões da questão social tem para os próximos anos a perspectiva perversa de piorar com a opção do governo golpista de retirada das verbas orçamentárias para os programas de inclusão social.

As mais diversas realidades do nosso país ainda são alarmantes, um olhar mais atento para os direitos sociais e a forma como as riquezas estão distribuídas de forma tão desigual são fatores que precisam de questionamentos e de luta contra a retirada de direitos.

Essa realidade, que ainda absurdamente existe, poderia explicar em partes o porquê de tantas de tantas famílias se submeterem a trabalhar por quase nada.

Não é isso o que queremos.

Infelizmente a cultura da exploração do trabalho no Brasil por muitas vezes inverte a lógica no sentido de muitas vezes se culpabilizar o trabalhador pela baixa produtividade em um momento em que o trabalho informal impera e explora absurdamente quem não tem perspectiva de empregos plenos e com registro em carteira.

Num momento em que os direitos da classe trabalhadora são retirados, é necessário que fiquemos cada vez mais atentos à quem se submete às condições humilhantes da exploração do trabalho.

É o mínimo que as pessoas que possuem o mínimo de caráter que contratam informalmente esta mão de obra barata precisam ter em mente.

Não à exploração, nunca!

Fonte: Gazeta do Povo

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